Marcha nacional contra o feminicídio mobiliza Goiânia neste domingo

Ato “Levante Mulheres Vivas!” espera reunir grande público na capital para denunciar a violência de gênero

Goiânia será uma das cidades brasileiras a sediar, neste domingo, a Marcha “Levante Mulheres Vivas!”, iniciativa que busca denunciar o feminicídio e outras formas de violência sofridas pelas mulheres no país. A concentração está marcada para as 15h, na Praça Universitária, de onde o grupo seguirá até a Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deaem). A mobilização reforça que a morte de mulheres não é fatalidade nem caso isolado, mas expressão de um problema estrutural que exige enfrentamento imediato.

Segundo Kelly Cristina, advogada feminista e coordenadora estadual da Articulação de Mulheres Brasileiras, a marcha ocorre em resposta à escalada da violência de gênero em Goiás e no país. Ela destaca que o ato tem a função de romper com a naturalização do feminicídio e pautar políticas de prevenção, repudiando qualquer forma de misoginia, discursos de ódio e práticas que desumanizam as mulheres.

A organização também critica a insuficiência de ações locais. Embora reconheça avanços no âmbito federal, como o retorno do Ministério das Mulheres e o aumento de recursos para políticas de proteção, Kelly afirma que governos estaduais e municipais ainda não demonstram comprometimento proporcional à gravidade do problema.

A professora Ursula Conrado, que integra a coordenação do ato em Goiânia, afirma que mais de 30 cidades participarão da mobilização simultaneamente. Para ela, o objetivo é dar visibilidade ao cenário de violência permanente que afeta as mulheres, reforçando que a luta não pertence apenas ao movimento feminista, mas a toda a sociedade. Ela lembra que a garantia de existir sem medo é um direito básico, e que o Estado não pode tratar a violência de gênero como mera estatística.

O cenário em Goiás confirma a urgência da pauta. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 aponta que o estado tem três municípios entre os 20 com maior número de estupros no país e figura entre as unidades federativas com índices mais elevados de violência doméstica, ocupando a sexta posição nacional. Mesmo com repasses federais que ultrapassaram R$ 4,11 milhões para ações de enfrentamento e mais R$ 32,91 milhões destinados à redução de homicídios em 2024, Goiás segue como um dos locais mais perigosos para meninas e mulheres.

Kelly Cristina reforça que a sociedade precisa reagir de maneira articulada, cobrando políticas públicas permanentes, orçamento adequado, respostas rápidas e um sistema de justiça que efetivamente proteja as vítimas — sobretudo mulheres negras, indígenas, pobres, periféricas e quilombolas, que sofrem de forma desproporcional. Ursula acrescenta que a marcha também levanta bandeiras como a ampliação de casas-abrigo, atendimento qualificado, educação de gênero em escolas e campanhas contínuas de conscientização, inclusive no ambiente digital.

Entre os temas em destaque está a recente Lei 14.994, sancionada em 2024, que aumentou para até 40 anos a pena máxima para o feminicídio, ultrapassando a punição para o homicídio qualificado. Para os movimentos, o endurecimento da legislação precisa vir acompanhado de políticas que impeçam que mulheres cheguem a situações extremas de violência.

O “Levante Mulheres Vivas!” defende que o combate ao feminicídio exige ação constante do poder público e da sociedade, com informação acessível, dados confiáveis, medidas de proteção e engajamento coletivo para que nenhuma mulher seja silenciada pela violência.

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