Mineradora de terras raras em Goiás amplia financiamento dos EUA para US$ 565 milhões

Aporte de banco estatal americano fortalece presença dos Estados Unidos em setor estratégico e inclui opção de participação acionária na empresa

A exploração de terras raras em Goiás ganhou novo peso no cenário internacional após a Serra Verde anunciar a ampliação de um financiamento concedido por um banco ligado ao governo dos Estados Unidos. O valor do aporte passou de US$ 465 milhões para US$ 565 milhões e ainda garante aos americanos o direito de adquirir uma participação acionária minoritária na mineradora, que opera no norte do estado.

O financiamento é feito pela Development Finance Corporation (DFC), instituição estatal norte-americana voltada a projetos considerados estratégicos. Além do aumento expressivo dos recursos, o novo acordo reforça o interesse dos EUA em reduzir a dependência global da China no fornecimento de minerais críticos, especialmente aqueles usados na transição energética e na indústria de defesa.

A Serra Verde é atualmente a única empresa em operação no Brasil dedicada à mineração de terras raras. Apesar de ter capital controlado por dois fundos americanos e um britânico, toda a produção ainda é exportada para a China, país que concentra cerca de 60% da extração mundial e quase 90% do refino desses minerais. A empresa, no entanto, informou que vem ajustando contratos para direcionar parte da produção a mercados ocidentais, sem especificar os destinos.

Atualmente, a mineradora opera abaixo da capacidade máxima, estimada em 5 mil toneladas anuais de óxido de terras raras. O plano é elevar esse volume para cerca de 6.500 toneladas por ano até o fim de 2027, ampliando a relevância da operação goiana no mercado global.

Segundo o CEO da Serra Verde, Thras Moraitis, o novo acordo representa um reconhecimento da importância estratégica da empresa. De acordo com ele, o apoio financeiro fortalece a criação de cadeias de suprimento independentes e dá maior segurança a indústrias que dependem desses minerais para produção de tecnologias avançadas.

Ainda não há confirmação oficial sobre a exigência de fornecimento direto para empresas americanas, especialmente dos setores de veículos elétricos e defesa. Especialistas, porém, apontam que contratos desse tipo costumam prever algum nível de prioridade ou alinhamento estratégico.

O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para firmar parcerias diretas com empresas brasileiras de minerais críticos, sem depender exclusivamente de acordos governamentais. O Brasil, que possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, é visto como peça-chave na diversificação do fornecimento global.

Além da Serra Verde, o banco americano também fechou um contrato de US$ 5 milhões com outra empresa que desenvolve projeto avançado de terras raras no norte de Goiás. Os recursos devem financiar estudos de viabilidade e podem ser convertidos em participação acionária no futuro.

Esse projeto prevê ainda a construção de uma refinaria nos Estados Unidos até 2028, com capacidade para atender grande parte da demanda americana por elementos pesados de terras raras usados em veículos elétricos. Enquanto isso, o investimento estimado para a implantação da mina em Goiás supera US$ 600 milhões, reforçando o papel do estado na corrida global por minerais estratégicos.

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