Meta nega favorecimento eleitoral e atribui queda nas visualizações de Lula a falha global

Empresa respondeu a questionamentos do TSE sobre possíveis restrições a conteúdos da campanha petista e afirmou que problema no Instagram atingiu usuários de mais de 100 países

A Meta, empresa responsável pelo Facebook e pelo Instagram, negou ter utilizado seus sistemas para beneficiar ou prejudicar candidatos nas eleições brasileiras de 2026. A manifestação foi encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na segunda-feira (12), após questionamentos sobre dificuldades na circulação de conteúdos relacionados à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O esclarecimento atende a uma determinação do ministro Marco Aurélio Bellizze, que concedeu prazo de 48 horas para a companhia explicar o funcionamento de uma rede de 255 perfis automatizados no Instagram.

A iniciativa judicial ocorreu após a coligação Brasil Pronto pra Mais, ligada à campanha de Lula, apresentar uma representação denunciando episódios que poderiam comprometer o alcance das publicações do candidato nas plataformas digitais.

Segundo a campanha petista, os problemas técnicos relatados pela empresa teriam prejudicado de maneira desproporcional o desempenho de Lula nas redes sociais.

Em sua resposta, a Meta rejeitou a hipótese de interferência deliberada na disputa e contestou a interpretação de que seus sistemas estariam sendo utilizados para favorecer um dos lados.

“O Facebook Brasil repudia categoricamente tal premissa. A afirmação é falsa, não está demonstrada e não resiste ao confronto com os fatos e com os dados objetivos adiante apresentados”, argumentou a empresa no documento.

A companhia acrescentou que acusações semelhantes de favorecimento estariam sendo feitas por grupos de diferentes lados da disputa eleitoral. Para a Meta, esse cenário indicaria percepções subjetivas, e não a existência de uma atuação direcionada.

A empresa também sustentou que a igualdade eleitoral deve ser garantida por critérios uniformes de acesso e tratamento, sem interferência artificial para ampliar o alcance de determinada candidatura.

A decisão de Bellizze determinou ainda que a Meta preserve registros técnicos relacionados à moderação, à publicidade e à distribuição de conteúdos. Os dados poderão auxiliar na análise das alegações apresentadas à Justiça Eleitoral.

Meta atribui problema a falha internacional

Ao explicar os episódios questionados, a empresa afirmou que uma falha técnica de alcance global afetou temporariamente o contador de visualizações dos vídeos publicados no formato Reels do Instagram.

Segundo a companhia, o problema ocorreu em 7 de outubro, entre 15h50 e 20h49. Durante esse intervalo, as ferramentas responsáveis por contabilizar reproduções e novas visualizações deixaram de funcionar corretamente.

Com isso, algumas publicações poderiam aparecer com zero visualizações ou apresentar números congelados, mesmo quando os conteúdos continuavam disponíveis aos usuários.

A Meta argumentou que a falha ficou restrita à exibição das métricas e não comprometeu a distribuição das publicações. A empresa também afirmou que o incidente não teve relação com a política brasileira e atingiu criadores de conteúdo em mais de 100 países.

Na manifestação enviada ao TSE, a companhia declarou que o perfil oficial de Lula registrou distribuição de conteúdo acima de sua própria média recente naquela data. Com base nesse dado, negou haver indícios técnicos de tratamento seletivo para prejudicar ou beneficiar campanhas.

A empresa afirmou que não encontrou evidências verificáveis de manipulação direcionada e reiterou que o problema relatado estava relacionado ao funcionamento do sistema de contagem de visualizações.

O caso segue sob análise da Justiça Eleitoral, que solicitou informações técnicas para esclarecer as reclamações da campanha petista e avaliar os registros apresentados pela plataforma.

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