Posicionamento do candidato do PL sobre a jornada de trabalho e suspensão de canal ligado a apoiadores de Lula ocorrem em meio à disputa pelo segundo turno
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tem adotado movimentos para reduzir riscos na disputa pelo segundo turno presidencial. A mudança de posição do senador sobre a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, envolvendo um canal de WhatsApp de apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ocorreram em um momento de intensificação da disputa eleitoral.
Os episódios aconteceram depois de manifestações favoráveis a Lula reunirem apoiadores em São Paulo e no Rio de Janeiro, dois dos maiores colégios eleitorais do país. Os atos demonstraram capacidade de mobilização da militância petista, embora integrantes do próprio partido avaliem que ainda é necessário ampliar o alcance dessas manifestações para além de sua base tradicional.
Na campanha de Lula, existe a expectativa de que a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1, prevista para esta quarta-feira (14), no Senado, possa ampliar o diálogo com eleitores indecisos e conquistar novos apoios.
Foi nesse contexto que Flávio anunciou, na terça-feira (13), que pretende votar a favor da proposta. A declaração foi feita a jornalistas após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. O encontro marcou a retomada do contato presencial entre os dois após um período de três meses sem autorização para visitas.
No mesmo dia, Nunes Marques suspendeu novamente o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A decisão reverteu uma determinação anterior do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.
As duas movimentações passaram a integrar a análise dos bastidores eleitorais sobre a estratégia dos candidatos. O cenário contrasta com a confiança demonstrada por alguns aliados de Flávio após o senador terminar o primeiro turno à frente de Lula na votação.
Pesquisas internas mostram cenários diferentes
Apesar da avaliação de que a disputa exige cautela, integrantes da campanha de Flávio afirmam que os levantamentos internos continuam apontando vantagem do candidato do PL no segundo turno. Segundo esses aliados, alguns dos chamados trackings indicariam uma diferença de até oito pontos percentuais em favor do senador.
Os números apresentados por interlocutores da campanha petista, porém, mostram uma disputa mais apertada. Um levantamento interno ao qual a coluna teve acesso colocaria Flávio apenas dois pontos à frente de Lula, diferença considerada empate dentro da margem de erro.
Entre aliados do presidente, a avaliação é de que ainda existe espaço para uma mudança no cenário eleitoral. Integrantes do governo argumentam que o segundo turno tem sido marcado por uma discussão mais concentrada nas propostas dos candidatos, ao contrário do primeiro turno, quando temas relacionados à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) tiveram maior destaque.
Outro aspecto considerado relevante pela campanha de Lula é a possibilidade de o eleitor concentrar sua escolha na disputa presidencial. Sem a necessidade de dividir a decisão com candidatos a outros cargos, a avaliação de aliados do petista é que os projetos apresentados pelos dois concorrentes podem ganhar mais peso na definição do voto.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Até lá, as duas campanhas devem concentrar esforços na disputa pelos eleitores que ainda não definiram sua posição ou que votaram em outros candidatos na primeira etapa.







