Prefeito Sandro Mabel cobra solução para imóvel abandonado há décadas no Centro e afirma que proprietários terão prazo para apresentar projeto de recuperação; edifício poderá dar lugar a apartamentos para aluguel por aplicativo
A Prefeitura de Goiânia quer colocar fim ao abandono do edifício conhecido como Redondo da Araguaia, no Setor Central. Durante uma visita ao imóvel nesta terça-feira (20), o prefeito Sandro Mabel (UB) afirmou que os proprietários precisarão apresentar uma proposta de utilização para o prédio dentro do prazo que será definido pelo município. Caso não haja uma solução, a estrutura poderá ser demolida.
A intenção dos atuais donos é adaptar o edifício para abrigar apartamentos destinados à locação por aplicativos. O grupo adquiriu o imóvel há pouco mais de um ano e já elaborou, com auxílio de um arquiteto, um projeto de readequação. A proposta ainda precisa ser apresentada à administração municipal para análise e aprovação.
Mabel afirmou que a prefeitura está acelerando as medidas para recuperar construções sem uso na região central. Além do Redondo da Araguaia, o levantamento municipal inclui um antigo mercado situado atrás do Parthenon Center e um imóvel que pertenceu à mãe de Pedro Ludovico Teixeira.

“Precisamos dar uma solução para esses prédios. Então, estamos apressando isso daqui”, afirmou o prefeito.
Construído inicialmente para funcionar como consultórios médicos, o Redondo da Araguaia permanece abandonado há décadas. Segundo Mabel, uma avaliação técnica apontou que a estrutura ainda apresenta boas condições, ao contrário de outros edifícios da região que podem precisar ser demolidos.
O prefeito não divulgou a data exata em que o prédio foi vendido nem identificou a empresa ou o grupo responsável pela propriedade. De acordo com ele, um estudo arquitetônico está em elaboração e, após a entrega do projeto à prefeitura, a expectativa é que a análise seja concluída em menos de 90 dias.
“Não pode um prédio desses ficar 40 anos desse jeito e criando o tamanho do problema que nós temos aqui. Virou um hotel de moradores de rua”, declarou Mabel.
A recuperação do edifício faz parte das ações de revitalização do Centro, que incluem o programa Morar no Centro. A iniciativa prevê levar aproximadamente 3 mil famílias para morar na região, o que, segundo o prefeito, exige melhorias na infraestrutura e nas condições de segurança.
“O Morar no Centro, que é o programa que nós estamos fazendo, vai começar a trazer uma população grande para o Centro. São 3 mil famílias que virão para cá. Preciso encontrar o Centro em condições melhores do que ele está hoje”, disse.
Como medida inicial, os proprietários começaram a retirar as estruturas provisórias de isolamento de madeira para instalar um muro, um portão e outros equipamentos de segurança. A intervenção busca dificultar novas invasões. Anteriormente, a prefeitura também havia realizado a retirada de pessoas que ocupavam o imóvel.
A situação do edifício preocupa comerciantes e moradores das proximidades. Silvia Cristina, empresária que trabalha na região, relatou que o local passou a ser usado para atividades relacionadas ao tráfico de drogas e se tornou alvo frequente de ocorrências policiais há mais de um ano.
Na segunda-feira (19), um dia antes do início dos trabalhos, um homem foi esfaqueado nas proximidades do prédio. Segundo Silvia, após o episódio, os envolvidos entraram em sua empresa para pedir água.
“O pessoal esfaqueou o rapaz aqui e depois foi e entrou na minha empresa, que também fica aqui no Centro, e pediu água. Eles estavam vendendo paçoca na sexta-feira, inclusive”, contou.
A Polícia Militar de Goiás (PMGO) informou que intensificou o patrulhamento e realizou operações de saturação no entorno do edifício. A tenente Lara Cristina explicou, entretanto, que a manutenção da segurança depende também de medidas para impedir que imóveis abandonados continuem sendo ocupados irregularmente.
“Esses indivíduos correm daqui, mas depois a gente tem que fazer sempre esse policiamento, mantendo a segurança do local para que eles não retornem”, afirmou.
Para Silvia Cristina, o fechamento do prédio e a instalação de barreiras físicas podem contribuir para reduzir os problemas na região. A empresária acredita que a recuperação de imóveis abandonados pode favorecer a retomada do Centro.
“Agora creio que o Centro, futuramente, vai voltar a ser um setor muito bom. Tenho essa impressão, fé nisso”, declarou.







