Olho: Petista conquistou 51,74% dos votos válidos, superou a vantagem obtida pelo adversário no primeiro turno e garantiu seu quarto mandato à frente da Presidência da República.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil neste domingo (25), após vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. Com 96% das urnas apuradas, Lula registrava 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% do adversário. A vitória garantiu ao petista um quarto mandato como presidente, com permanência no Palácio do Planalto até 31 de dezembro de 2030. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também continuará no cargo.
O resultado representa uma virada em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Na ocasião, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. O senador havia conquistado uma vantagem superior a 2,2 milhões de votos, contrariando as expectativas iniciais da campanha petista.
Após o resultado da primeira votação, a equipe de Lula reformulou a estratégia eleitoral, ampliando os confrontos diretos com o adversário, a presença do presidente nas ruas e a atuação nas redes sociais. A campanha também intensificou a mobilização de apoiadores para tentar reverter a diferença antes do segundo turno.
Falta de ônibus e decisão do STF marcaram a votação
O dia da eleição foi marcado por denúncias de redução da frota de ônibus e dificuldades de deslocamento em cidades de diferentes regiões do país, como Salvador, São Paulo, Recife e São Gonçalo (RJ).
Na capital baiana, o Tribunal Regional Eleitoral determinou a circulação integral da frota, com oferta equivalente à dos dias úteis. Durante uma fiscalização, o Procon estadual informou ter encontrado 370 ônibus parados em quatro garagens. A Justiça Eleitoral também determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, após constatar a redução da circulação. A prefeitura atribuiu parte dos problemas à colocação de adesivos de propaganda eleitoral nos veículos e afirmou ter determinado a liberação dos coletivos.
Em São Paulo, houve determinação judicial para a circulação de 100% da frota. No Recife, a Justiça Eleitoral ordenou o restabelecimento da oferta de ônibus e do funcionamento regular do metrô. Já em São Gonçalo, passageiros relataram longas esperas e redução de veículos em linhas municipais e intermunicipais.
Diante das reclamações, as duas campanhas presidenciais recorreram à Justiça para solicitar a ampliação do horário de votação. A equipe de Lula alegou que a falta de transporte poderia impedir eleitores de chegar às urnas, enquanto a campanha de Flávio apontou dificuldades provocadas por chuvas e problemas de deslocamento em municípios de cinco estados.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a votação fosse estendida até as 19h. A medida valeu para as seções que ainda estavam abertas às 17h, sem reabrir locais que já haviam encerrado o atendimento. A totalização dos votos foi temporariamente interrompida e retomada após o fim do horário ampliado.
Campanha de Lula mudou após resultado do primeiro turno
A campanha petista iniciou a disputa com expectativa de uma vitória mais confortável. No entanto, o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno levou a equipe do presidente a rever sua estratégia. O senador recebeu cerca de 56,1 milhões de votos, contra aproximadamente 53,9 milhões de Lula.
Após a votação, aliados e dirigentes partidários se reuniram para discutir os próximos passos. A campanha decidiu intensificar as críticas ao adversário, ampliar a participação de Lula em debates e produzir conteúdos mais curtos para as redes sociais. O objetivo era alcançar eleitores indecisos e ampliar a mobilização para o segundo turno.
“Exército do Lula” ganha força nas redes sociais
A mobilização digital também passou a ocupar posição central na campanha petista. O deputado federal André Janones (Rede-MG) ampliou o uso do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, para organizar apoiadores e incentivar o compartilhamento de conteúdos favoráveis ao presidente.
A iniciativa ganhou força após o primeiro turno, com crescimento expressivo no número de inscritos. Os participantes recebiam orientações para divulgar vídeos, compartilhar publicações e participar de ações virtuais. Na sexta-feira (23), o canal alcançou cerca de 10 milhões de seguidores, segundo levantamento citado na reportagem original.
A campanha de Flávio reagiu com a divulgação da “Tropa do Flávio”, iniciativa digital apoiada por aliados, entre eles o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Lula também participou de transmissões com Janones e agradeceu publicamente o engajamento dos apoiadores. Na reta final, o presidente reforçou o pedido para que a mobilização continuasse até o dia da votação.
A disputa foi marcada por debates, propaganda eleitoral, ações nas ruas e confrontos nas redes sociais durante as três semanas entre os dois turnos. Com o resultado deste domingo, Lula garantiu a permanência na Presidência no período de 2027 a 2030.







