Saída de Flávio Bolsonaro do Brasil divide pastores; bispo o compara a Cristo

Silas Malafaia defende a viagem do senador aos Estados Unidos, Cláudio Duarte evita prolongar o embate político e Robson Rodovalho afirma compreender a decisão

A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou reações distintas entre lideranças evangélicas que apoiaram sua candidatura. Enquanto o pastor Silas Malafaia sustenta que a família Bolsonaro é alvo de perseguição política, Cláudio Duarte procura se afastar da disputa eleitoral, e o bispo Robson Rodovalho diz compreender a decisão do senador de deixar o país.

As manifestações ocorreram nesta quarta-feira (28), em meio à repercussão da chegada de Flávio aos Estados Unidos e das restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Um dos principais aliados religiosos da família Bolsonaro, Malafaia defendeu a saída do senador e voltou a criticar a atuação de Moraes. O pastor classificou o ministro como um agente político e questionou se Flávio deveria permanecer no Brasil diante do que considera um risco de prisão sem garantias legais.

A posição contrasta com a defendida por Malafaia após Jair Bolsonaro perder a eleição presidencial de 2022. Naquele momento, o religioso defendia que o ex-presidente permanecesse no país para liderar a oposição ao governo Lula.

Agora, Malafaia afirma ter mudado de opinião. Segundo ele, a permanência de Jair Bolsonaro no Brasil poderia ter levado a uma prisão mais cedo. O pastor também negou ter sido avisado por Flávio sobre a intenção de viajar para o exterior durante uma conversa na segunda-feira (26). De acordo com seu relato, o diálogo tratou dos motivos da derrota eleitoral.

Malafaia comenta devolução de passaporte

Na terça-feira (27), o pastor publicou um vídeo em que agradeceu ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, pela devolução de seu passaporte, que estava retido desde agosto de 2025 por determinação de Moraes.

A apreensão ocorreu durante uma investigação sobre suspeitas de coação no curso do processo e obstrução de Justiça, relacionadas a possíveis tentativas de pressionar o Judiciário durante o julgamento de Jair Bolsonaro.

Áudios de conversas entre Malafaia e o ex-presidente foram incluídos nas apurações. Para a Polícia Federal, os diálogos poderiam indicar articulações para constranger ministros do Supremo e interferir no andamento do processo.

O pastor contestou a investigação e criticou a divulgação de conversas privadas. No pronunciamento mais recente, voltou a defender a família Bolsonaro e criticou pessoas que retomaram declarações anteriores suas sobre a decisão de Jair de deixar o Brasil.

Cláudio Duarte procura se afastar da disputa política

Em outra direção, o pastor Cláudio Duarte, que apoiou Flávio durante a campanha presidencial, adotou um discurso de distanciamento da disputa. Em um vídeo divulgado nesta quarta-feira (28), afirmou que o resultado das urnas deve ser aceito e disse que a vitória de Lula não representa uma ameaça à sua vida.

Duarte também declarou não desejar que o presidente faça um governo ruim e manifestou a expectativa de que o país continue crescendo. A posição difere da narrativa de perseguição política defendida por parte dos apoiadores de Bolsonaro.

A manifestação indica uma tentativa de encerrar o confronto eleitoral e evitar que a polarização política continue entre os fiéis, que têm posicionamentos diferentes.

Rodovalho cita Jesus Cristo para justificar proteção

O bispo Robson Rodovalho, fundador da igreja Sara Nossa Terra, afirmou ter ficado surpreso com a notícia de que Flávio havia deixado o Brasil, mas disse compreender a decisão do senador.

Para explicar sua posição, ele recorreu a uma referência a Jesus Cristo e à ideia de buscar proteção diante de perseguições. Rodovalho também ponderou que é necessário aguardar esclarecimentos sobre os fundamentos das medidas adotadas pelo STF.

Na avaliação do bispo, a apreensão do passaporte foi uma medida agressiva e desnecessária diante das informações disponíveis naquele momento.

As declarações evidenciam diferentes reações entre lideranças evangélicas próximas ao bolsonarismo diante da viagem de Flávio Bolsonaro. Malafaia reforça as críticas ao Supremo e a tese de perseguição política, Cláudio Duarte procura se distanciar do confronto eleitoral e Rodovalho manifesta compreensão pela saída do senador, embora também questione a atuação da Corte.

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