Virada sofrida diante do Remo selou o fracasso na busca pelo acesso e desencadeou revolta dentro e fora de campo
O Goiás viveu, neste fim de temporada, um dos desmoronamentos mais bruscos e dolorosos da Série B recente. Depois de um primeiro turno consistente e de uma campanha que alimentava a expectativa de retorno à elite, o time perdeu força na reta final e exibiu fragilidades que culminaram na derrota para o Remo, no domingo (24), no Mangueirão. O Verdão até saiu na frente, mas recuou cedo, perdeu intensidade e viu o adversário dominar o jogo até virar o placar, eliminando de vez qualquer chance de acesso.
A frustração refletiu diretamente na torcida. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o torcedor Lucas Goiano chorando debaixo do chuveiro, indignado com o resultado. Em outro ponto, membros da própria torcida esmeraldina se enfrentaram em meio à revolta pelo desempenho do time.
Dentro de campo, o problema não foi pontual. A equipe repetiu, no segundo turno, falhas que vinham se acumulando: pouca agressividade, desorganização tática e dificuldade em sustentar a proposta de jogo. O técnico Fábio Carille foi categórico ao afirmar que a intensidade da partida esteve muito acima da resposta oferecida pelo elenco — uma análise que escancarou a incapacidade do grupo de competir sob pressão.
Briga na organizada amplia a crise
A queda não ficou restrita às quatro linhas. A sede da Força Jovem Goiás (FJG) registrou um tumulto entre torcedores após o revés por 3 a 1. A confusão, que rapidamente se espalhou pelas redes sociais, simbolizou o sentimento de revolta e impotência diante da perda do acesso.
O episódio ocorreu no mesmo dia em que o Remo celebrou seu retorno à Série A após mais de 30 anos, tornando a derrota ainda mais amarga para os esmeraldinos. O contraste entre a festa azulina e o descontrole da torcida goiana sintetizou os diferentes destinos construídos ao longo da temporada.
Um fim de ciclo que cobra respostas
Para o Goiás, a campanha deixa mais do que frustração: escancara problemas estruturais. O fracasso não pode ser tratado como acidente, mas como consequência de escolhas equivocadas, falta de estabilidade competitiva e ausência de liderança no momento decisivo.
Com o acesso perdido, o clube entra em um período de reflexão profunda. O caminho de volta à Série A exigirá mais do que reforços; pedirá uma revisão de processos, planejamento e mentalidade. Se pretende retomar seu espaço entre os principais clubes do país, o Goiás terá de reconstruir não apenas o elenco, mas a própria cultura competitiva que o levou a colapsar justamente quando mais precisava de força.






