Epstein avaliou investir em agência de modelos no Brasil para ter “acesso às garotas”

Documentos revelam plano de aplicar US$ 1 milhão em concursos de modelos voltados a jovens do interior do país

Documentos recentemente divulgados pelas autoridades dos Estados Unidos mostram que Jeffrey Epstein analisou a possibilidade de investir no mercado de moda brasileiro com um objetivo que ia muito além de retorno financeiro. A ideia central, segundo os registros, seria usar o investimento como meio de obter “acesso direto às garotas”, conforme descrito em trocas de e-mails de 2016.

As mensagens indicam que Epstein considerou aplicar cerca de US$ 1 milhão para adquirir participação relevante em uma agência de modelos com atuação no Brasil. O plano incluía ainda a realização de concursos de grande escala, apresentados como uma forma de atrair jovens interessadas em ingressar na carreira de modelo.

O conteúdo dos e-mails revela que o foco estaria em meninas do interior e modelos sem experiência prévia, consideradas mais vulneráveis e suscetíveis às promessas de ascensão profissional. A estratégia previa a realização de seletivas em cerca de 30 a 40 cidades, com potencial para alcançar aproximadamente 200 mil candidatas.

Em um dos trechos, o interlocutor de Epstein sugere que ele teria ampla influência sobre o futuro das jovens selecionadas, podendo decidir se seriam levadas para outros países, como Estados Unidos, França ou destinos no Caribe. O tom das mensagens reforça que o interesse principal não era o setor da moda em si, mas o controle sobre o acesso às participantes.

Os documentos também apontam que Epstein solicitou a assinatura de um acordo de confidencialidade para tratar do assunto. Não há, no material divulgado, qualquer comprovação de que a agência citada tenha participado das conversas ou que o investimento tenha sido concretizado.

Jeffrey Epstein morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento por crimes sexuais. A divulgação desses novos arquivos reforça o padrão de comportamento já revelado em outras investigações, nas quais ele teria usado estruturas empresariais e promessas de oportunidades profissionais como forma de se aproximar de jovens mulheres.

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