Estudo identifica dois anfíbios marinhos gigantes que viveram há 250 milhões de anos

Espécies foram encontradas na Austrália décadas atrás, mas só passaram por análise detalhada a partir de 2024

Fósseis localizados no noroeste da Austrália revelaram a existência de dois anfíbios marinhos de grandes proporções que habitaram o planeta há cerca de 250 milhões de anos. Os materiais foram coletados entre as décadas de 1960 e 1970, na região de Kimberley, mas acabaram extraviados por anos, o que atrasou investigações mais aprofundadas. A análise detalhada só teve início em 2024.

Os animais pertencem aos gêneros Erythrobatrachus e Aphaneramma e viveram no começo da Era Mesozoica, período que sucedeu a grande extinção do fim do Permiano. Eles fazem parte de um dos primeiros grupos de vertebrados com membros adaptados à vida marinha, tornando-se predadores dominantes nos ambientes aquáticos do início do Triássico.

A pesquisa foi conduzida pelo Museu Sueco de História Natural, em parceria com o Museu da Austrália Ocidental e universidades dos Estados Unidos. Os resultados foram divulgados na revista Journal of Vertebrate Paleontology.

Inicialmente, acreditava-se que os fragmentos pertenciam a uma única espécie, chamada Erythrobatrachus noonkanbahensis, integrante do grupo dos temnospondilos trematossaurídeos — parentes distantes das atuais rãs e salamandras. Esses anfíbios podiam alcançar até dois metros de comprimento e apresentavam características corporais semelhantes às de crocodilos.

Com o uso de técnicas modernas de alta resolução, os cientistas constataram que os ossos pertenciam, na verdade, a dois gêneros distintos: Erythrobatrachus e Aphaneramma. O primeiro possuía crânio largo com cerca de 40 centímetros. Já o segundo apresentava crânio de tamanho semelhante, porém com focinho mais longo e estreito, adaptado à captura de peixes pequenos.

Apesar de compartilharem o mesmo ambiente aquático, os dois predadores tinham hábitos alimentares diferentes, o que reduzia a competição entre eles. Enquanto o Erythrobatrachus foi identificado apenas na Austrália, fósseis de Aphaneramma já foram encontrados em regiões que hoje correspondem ao Ártico escandinavo, à Rússia, ao Paquistão e a Madagascar, indicando ampla distribuição geográfica e diversidade ecológica.

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