Governo iraniano relata bombardeios no Golfo Pérsico e alerta para aumento das tensões na região
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou nesta quarta-feira (8) que o acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos foi comprometido após ataques registrados em território iraniano. Segundo ele, duas ilhas localizadas no Golfo Pérsico — Lavan e Siri — foram atingidas ao longo do dia, em meio a relatos de explosões divulgados pela imprensa estatal.
Apesar da gravidade das acusações, o governo iraniano não apontou oficialmente quem teria sido responsável pelas ações. A declaração ocorre em um momento de forte tensão entre Teerã e Washington, após uma sequência de episódios envolvendo ameaças e movimentações militares na região.
Em contato com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, Pezeshkian criticou o que classificou como violação do acordo e defendeu a necessidade de respeito às condições estabelecidas. O líder paquistanês, por sua vez, pediu cautela e destacou que episódios desse tipo podem comprometer o avanço de negociações diplomáticas.
No campo das relações exteriores, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o país segue disposto a utilizar o cessar-fogo como base para encerrar o conflito, mas ressaltou que a nação permanece em estado de prontidão. Em diálogo com o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, ele reiterou a defesa por uma solução diplomática.
Autoridades iranianas também voltaram a criticar a condução do acordo, afirmando que os termos exigem uma escolha clara por parte dos Estados Unidos entre a manutenção da trégua ou a continuidade das ações militares indiretas na região.
Enquanto isso, a Guarda Revolucionária do Irã alertou que novos ataques, especialmente em áreas como o Líbano, podem provocar uma resposta mais ampla contra alvos considerados estratégicos.
Do lado norte-americano, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, indicou que o cessar-fogo é visto como temporário e que as forças armadas permanecem preparadas para retomar operações, caso necessário. Já o ex-presidente Donald Trump, que havia anunciado a trégua, declarou que o acordo não inclui o território libanês.
A exclusão do Líbano do entendimento ampliou divergências entre países envolvidos nas negociações. Enquanto autoridades paquistanesas indicavam inicialmente que o cessar-fogo abrangeria todas as frentes, Israel intensificou suas operações militares no país, alegando combater o grupo Hezbollah.
De acordo com autoridades de saúde libanesas, mais de uma centena de pessoas morreram em ataques recentes, considerados os mais intensos desde o início da escalada. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que as ações militares continuarão.
Diante do agravamento do cenário, o Irã voltou a mencionar a possibilidade de fechar o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Paralelamente, ataques com drones e mísseis em diferentes pontos do Oriente Médio têm elevado o risco de expansão do conflito para outros países da região.






