Crença popular atravessou gerações, mas não há comprovação científica de danos renais; estudos indicam até possível efeito auxiliar em casos específicos
A ideia de que masturbação faz mal aos rins circula há décadas e ainda desperta dúvidas. No entanto, a medicina moderna é categórica: não existe evidência científica de que a prática cause qualquer prejuízo à função renal ou ao sistema urinário.
Segundo o urologista Thiago Bruno, a associação negativa tem origem cultural e histórica, não médica. Em diferentes períodos da história, o sêmen foi interpretado como uma substância vital cuja perda representaria enfraquecimento do organismo. Além disso, sistemas tradicionais de saúde relacionavam simbolicamente os rins à energia sexual, o que contribuiu para a consolidação do mito.
Com o avanço da medicina baseada em evidências, essas interpretações deixaram de ter respaldo. Não há estudos que apontem relação entre masturbação e insuficiência renal, inflamações, dor crônica nos rins ou qualquer alteração metabólica.
Outro argumento comum é o de que o corpo perderia nutrientes importantes durante a ejaculação. Pesquisas mostram que a quantidade de proteína presente no sêmen é mínima — cerca de 0,25 grama por ejaculação — e facilmente reposta pela alimentação diária. Do ponto de vista clínico, essa perda é considerada irrelevante.
Possível relação com pedras nos rins
Embora não cause danos, um número limitado de estudos investigou se a ejaculação frequente poderia auxiliar na eliminação de pequenos cálculos renais, quando associada ao tratamento convencional. Em alguns casos observados, pacientes que ejaculavam de três a quatro vezes por semana apresentaram taxas de expulsão de pedras semelhantes às de quem utilizava tamsulosina, medicamento que relaxa o trato urinário para facilitar a passagem dos cálculos.
A hipótese é que as contrações musculares involuntárias durante o orgasmo e alterações temporárias no sistema urinário possam favorecer a progressão de pedras muito pequenas, especialmente as com menos de 5 milímetros. Ainda assim, especialistas ressaltam que esse possível efeito não substitui tratamento médico e não faz parte das diretrizes oficiais para manejo de cálculos renais.
Prevenção continua sendo o principal cuidado
As recomendações médicas consolidadas para prevenir e tratar pedras nos rins incluem ingestão adequada de água ao longo do dia, controle do consumo de sal e proteínas, avaliação metabólica em casos recorrentes e acompanhamento urológico quando necessário.
Dores lombares após masturbação também costumam gerar preocupação, mas na maioria das vezes têm origem muscular, relacionada à postura ou tensão. Dor renal verdadeira tende a ser mais intensa, em forma de cólica, podendo irradiar para abdome ou virilha e vir acompanhada de náuseas ou alterações urinárias. Sintomas como febre, ardência ao urinar ou presença de sangue na urina exigem avaliação médica.
A masturbação é considerada uma prática fisiológica normal e segura em pessoas saudáveis. A persistência do mito está mais ligada a tabus culturais do que a fatos científicos. Quando surgem sintomas persistentes ou intensos, a orientação é procurar um profissional de saúde para investigação adequada.






