Professora brasileira recorre à morte assistida na Suíça e deixa mensagem de despedida

Diagnosticada com doença degenerativa, docente defendeu o direito à escolha por uma morte sem dor

A professora Célia Maria Cassiano decidiu recorrer ao suicídio assistido na Suíça após conviver com uma doença degenerativa que comprometia progressivamente seus movimentos. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ela explicou os motivos da decisão e deixou uma mensagem final.

Célia enfrentava, há cerca de um ano e meio, uma condição neurológica que afetava o segundo neurônio motor, levando à perda gradual da mobilidade e da fala. Diagnosticada com atrofia muscular progressiva, ela relatou que, apesar das limitações físicas crescentes, mantinha plena capacidade intelectual.

Formada em Ciências Sociais e com mestrado pela Universidade Estadual de Campinas, a professora atuava como docente em Campinas. Segundo contou, a decisão de buscar a morte assistida foi tomada após avaliar a evolução da doença e a possibilidade de perda total de autonomia.

Ela afirmou que passou meses procurando uma instituição no exterior onde o procedimento fosse permitido. No Brasil, onde a prática é proibida, disse não ter encontrado alternativas legais. Para viabilizar a viagem, relatou ter informado a conhecidos que participaria de um estudo clínico.

No vídeo de despedida, Célia destacou que optou por uma morte planejada, sem sofrimento. “Estou vivendo um processo de degeneração física, mas sigo com a mente preservada. Escolhi uma morte limpa, digna e sem dor”, disse.

Na mensagem final, também incentivou o debate sobre o tema no país. “Lutem pelo direito de escolha. Não é uma obrigação, mas uma possibilidade para quem quiser decidir sobre o próprio fim”, afirmou.

Na legislação suíça, o suicídio assistido é permitido desde que não haja motivação egoísta por parte de terceiros. O procedimento exige prescrição médica, mas a administração da substância deve ser feita pelo próprio paciente. Já a eutanásia — quando outra pessoa realiza o ato — não é autorizada. No Brasil, ambas as práticas são proibidas e podem ser enquadradas como crime.

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