Especialistas apontam que estratégia busca atingir novos públicos, mas tende a gerar engajamento superficial
A presença de conteúdos ligados à vida saudável tem se tornado cada vez mais comum nos perfis de políticos e pré-candidatos com foco nas eleições de 2026. Publicações com treinos, caminhadas e hábitos fitness passaram a integrar a comunicação digital de lideranças em diferentes níveis, como forma de ampliar o alcance nas redes sociais e dialogar com públicos menos interessados em temas políticos tradicionais.
A tendência é observada tanto no cenário nacional quanto regional, envolvendo nomes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de Goiás, Daniel Vilela, além de prefeitos, deputados e outros pré-candidatos.
De acordo com o especialista em marketing político Pedro Ernesto Carneiro, o uso da imagem associada à vitalidade física não é recente, mas ganhou nova dimensão com o avanço das redes sociais. Ele lembra que essa prática já era utilizada por figuras como Iris Rezende, especialmente para reforçar disposição e capacidade de atuação, sobretudo entre políticos mais experientes.
Atualmente, no entanto, a estratégia está mais relacionada à busca por visibilidade e à tentativa de alcançar nichos específicos fora do debate político convencional. Segundo o especialista, conteúdos ligados ao universo fitness, assim como gastronomia e entretenimento, possuem grande apelo e facilitam essa aproximação com novos públicos.
Apesar disso, ele ressalta que esse tipo de publicação costuma gerar um engajamento mais superficial. São conteúdos de fácil consumo, com alto número de visualizações e curtidas, mas que nem sempre contribuem para a construção de uma conexão política mais sólida com o eleitorado.
Outro ponto destacado é a mudança na dinâmica das próprias plataformas digitais, como o Instagram, que têm priorizado interações mais profundas, como compartilhamentos e comentários, em vez de apenas métricas básicas de alcance. Isso reduz a efetividade de estratégias baseadas exclusivamente na exposição constante.
Além disso, há um efeito de repetição entre os próprios políticos. Quando um formato ganha destaque, outros passam a replicá-lo, o que gera conteúdos semelhantes e diminui o potencial de diferenciação entre os perfis.
O movimento faz parte de uma transformação mais ampla no marketing político digital, que tem investido na segmentação de mensagens para diferentes grupos. Nesse cenário, campanhas deixam de apostar em um discurso único e passam a produzir conteúdos variados, direcionados a públicos específicos em momentos distintos.











