Uma disputa judicial pelos direitos de ocupação de uma mansão na ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), envolve o atacante Richarlison, o advogado Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O imóvel, localizado em uma área pertencente à União, tem estrutura de luxo e cachoeira particular.
Richarlison afirma que comprou a propriedade com um sócio em 2020, por R$ 10 milhões, e que investiu em reformas e segurança. Segundo o jogador, ele perdeu os direitos de ocupação após se recusar a vender o imóvel. Em 2022, os compradores receberam um mandado de reintegração de posse em ação movida pela empresa M Locadora.
O atacante também questiona a transferência dos direitos para Willer Tomaz e afirma que Flávio Bolsonaro demonstrou interesse na mansão. O advogado nega irregularidades e diz ter adquirido legalmente os direitos de ocupação, além de alegar que desembolsou R$ 5 milhões para regularizar pendências fiscais relacionadas à área.
Em maio de 2022, uma decisão liminar reconheceu o direito de uso em favor de Willer, que recebeu a posse após apresentar documentos à Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Como o terreno pertence ao governo federal, a negociação envolve direitos de ocupação, e não a propriedade plena do solo.
O coletivo Derrubando Muros apresentou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) para solicitar a investigação dos procedimentos. O grupo questiona a rapidez da tramitação administrativa e as circunstâncias em que Richarlison perdeu os direitos sobre o imóvel.
Na quarta-feira (21), o jogador divulgou um vídeo com documentos que, segundo ele, comprovariam a legalidade da compra. Willer contestou a interpretação dos papéis e apontou divergências nos valores declarados: enquanto Richarlison mencionou R$ 4,66 milhões, a empresa Sport 70, ligada ao atleta, teria informado R$ 2,6 milhões nos autos.
O advogado afirma ainda possuir escritura registrada, certidão da SPU e decisões judiciais favoráveis, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ), com trânsito em julgado. Flávio Bolsonaro, por sua vez, já negou envolvimento em irregularidades e declarou que não mantinha litígio com o jogador, afirmando ter sido incluído como testemunha em uma disputa imobiliária.
A relação entre Flávio e Willer também foi questionada diante de suspeitas de uma possível sociedade indireta. Ambos negaram irregularidades e afirmaram que os vínculos entre suas famílias eram de amizade. O caso reúne questionamentos sobre a transferência dos direitos de ocupação e os procedimentos administrativos, que motivaram o pedido de investigação ao MPF.







