Ex-candidato à Presidência afirma que continuará na oposição, independentemente do resultado eleitoral, mas considera uma nova gestão petista menos preocupante do que a vitória do senador do PL
João Amoêdo, empresário e um dos fundadores do Partido Novo, anunciou que votará em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. A decisão foi divulgada nas redes sociais nesta sexta-feira (23), acompanhada de críticas aos dois candidatos e à polarização política no país.
Candidato à Presidência em 2018, Amoêdo afirmou que sua escolha não significa apoio ao governo petista. Ele declarou que pretende continuar atuando como oposição, independentemente de quem vencer a eleição. Ainda assim, avaliou que um novo mandato de Lula representa menos riscos do que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL).
Na publicação, o empresário demonstrou insatisfação com o cenário eleitoral e lamentou a ausência de uma alternativa competitiva fora dos grupos políticos ligados ao petismo e ao bolsonarismo. Para ele, o país voltou a uma disputa polarizada, sem que tenha sido construído um projeto capaz de romper essa divisão.
Ao avaliar o atual presidente, Amoêdo mencionou erros cometidos pela administração petista e questionou a decisão de Lula de buscar a reeleição, considerando a redução dos índices de aprovação e a idade do presidente.
Em relação a Flávio Bolsonaro, o empresário fez críticas à atuação parlamentar do senador e colocou em dúvida sua postura, credibilidade e capacidade para exercer a Presidência. Também afirmou não identificar iniciativas de destaque na trajetória política do candidato do PL.
Amoêdo declarou ainda acreditar que uma das prioridades de Flávio, caso seja eleito, seria conceder um indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.
O empresário também comparou os possíveis efeitos políticos dos dois resultados eleitorais. Na avaliação dele, uma nova gestão de Lula teria caráter de transição, enquanto a vitória de Flávio poderia prolongar por mais tempo a influência do grupo político associado a Jair Bolsonaro.
A decisão representa uma mudança em relação ao posicionamento adotado por Amoêdo na eleição presidencial de 2018. Naquele ano, ele disputou o primeiro turno e terminou na quinta colocação. No segundo turno, declarou apoio a Jair Bolsonaro, que enfrentava Fernando Haddad (PT).
Amoêdo participou da fundação do Partido Novo em 2011 e presidiu a legenda até 2020. A sigla ganhou projeção nacional com propostas liberais na economia e o discurso de que representava uma alternativa aos partidos tradicionais.
Em 2022, Amoêdo foi expulso do Novo após divergências políticas relacionadas ao posicionamento diante da disputa presidencial. Agora, oito anos depois de apoiar Bolsonaro contra o PT, anuncia voto em Lula no confronto com Flávio Bolsonaro, mantendo, segundo afirmou, a intenção de fazer oposição ao governo que sair das urnas.







