Goiânia faz 93 anos, mas Campinas tem 216 e abriga casa construída antes da capital

Imóvel erguido em 1925 no Setor Campinas é apontado como a residência mais antiga de Goiânia; bairro surgiu mais de um século antes da fundação da cidade planejada

Goiânia completa 93 anos neste sábado (24), mas a história de parte da capital goiana começou muito antes da criação do município. No Setor Campinas, a antiga Campininha das Flores, a formação da comunidade remonta a 1810. Entre os registros desse passado está uma casa construída em 1925, oito anos antes do início oficial das obras da nova capital.

A diferença de idade entre os dois lugares ajuda a explicar a importância histórica de Campinas. Quando Goiânia ainda era um projeto, o povoado já contava com moradores, igrejas, estabelecimentos comerciais e uma estrutura urbana própria. A região também teve participação direta na implantação da capital, oferecendo serviços e abrigo aos trabalhadores envolvidos na construção.

Campinas já era um centro urbano antes da capital

A ocupação de Campininha das Flores começou em 1810, aproximadamente 123 anos antes do lançamento da pedra fundamental de Goiânia, em 24 de outubro de 1933. Na década de 1920, o povoado tinha cerca de 4 mil habitantes e reunia residências, escolas, instituições religiosas e estabelecimentos comerciais.

O crescimento ocorreu principalmente nas proximidades da atual Basílica Nossa Senhora da Conceição. A Praça Coronel Joaquim Lúcio tornou-se um dos espaços centrais da vida social e política da comunidade.

Antes de perder sua autonomia e ser incorporada à capital, Campinas passou por diferentes etapas administrativas e consolidou uma dinâmica própria, com atividades econômicas e serviços que atendiam à população local.

A criação de Goiânia começou a tomar forma após Pedro Ludovico Teixeira assumir o governo de Goiás, na década de 1930. Uma comissão foi encarregada de avaliar áreas para receber a nova capital e indicou uma região próxima a Campinas.

Em maio de 1933, o governo escolheu terras das fazendas Crimeia, Vaca Brava e Botafogo, que pertenciam ao município de Campinas, para a construção da cidade planejada. Em outubro daquele ano, no dia 24, foi lançada a pedra fundamental de Goiânia.

Residência de 1925 guarda parte dessa história

Entre os imóveis que atravessaram a transformação da região está uma residência construída em 1925 no atual Setor Campinas. O casarão é apontado como a casa mais antiga de Goiânia e foi erguido pelo alemão Karl Bartolomeo Steger.

Em 2026, a construção completa 101 anos. Quando foi levantada, a capital ainda não existia oficialmente e Campinas era um município independente. A residência passou a integrar Goiânia após a incorporação do antigo município à nova capital.

A construção preserva um capítulo da história anterior ao planejamento urbano da cidade. Enquanto as obras de Goiânia ainda não haviam começado, o imóvel já fazia parte da paisagem de uma comunidade estabelecida.

Registros históricos também mostram Karl Bartolomeo Steger ao lado de sua esposa, a goiana Bárbara da Silva Moraes, em fotografias preservadas pela família.

Bairro ajudou a dar suporte à construção de Goiânia

Nos primeiros anos de implantação da nova capital, a infraestrutura ainda era insuficiente para atender todos os trabalhadores que chegavam à região. Campinas ajudou a suprir parte dessa demanda, fornecendo moradia, alimentos, ferramentas, tecidos e outros produtos utilizados no cotidiano.

Algumas casas do antigo município chegaram a ser utilizadas para abrigar repartições públicas. A Vila Operária também recebeu trabalhadores envolvidos nas obras da nova cidade.

Com a consolidação de Goiânia, Campinas perdeu sua condição de município independente e passou a integrar a capital. A região, no entanto, manteve relevância econômica, especialmente no entorno da Avenida 24 de Outubro, que se tornou um importante corredor comercial.

Lugares que preservam a memória de Campinas

Além da residência centenária, o bairro reúne construções e espaços relacionados à sua formação. Entre os pontos históricos estão a Basílica Nossa Senhora da Conceição, a Praça Coronel Joaquim Lúcio, o Centro Cultural Gustav Ritter, o Mercado de Campinas, inaugurado em 1954, o Estádio Antônio Accioly e o Cemitério Santana.

Esses locais ajudam a preservar referências de diferentes períodos da história da região, desde a antiga Campininha das Flores até sua integração à capital goiana.

No aniversário de Goiânia, a trajetória de Campinas e a permanência da casa construída em 1925 mostram que a história da capital não começou apenas com a cidade planejada. Antes das avenidas e dos bairros da nova Goiânia, já existia uma comunidade com identidade, comércio e construções próprias, cuja trajetória remonta a mais de dois séculos.

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