Presidente nacional do PL disse que nem Jair Bolsonaro tinha conhecimento da viagem do senador aos Estados Unidos e criticou o documento divulgado após a derrota eleitoral
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29) que não houve aprovação da carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a derrota na eleição presidencial. Segundo o dirigente, nem mesmo Jair Bolsonaro sabia que o filho pretendia deixar o Brasil e viajar para os Estados Unidos.
Valdemar falou com jornalistas durante uma visita ao ex-presidente, nesta manhã. Questionado sobre o documento publicado pelo senador, foi direto ao demonstrar sua insatisfação. “Não gostei”, declarou.
“Nem o Bolsonaro sabia, ninguém sabia, eu também não sabia”, afirmou o dirigente. Na sequência, disse compreender a situação enfrentada pelo parlamentar, mas deixou claro que não concorda com a iniciativa. “[Ele] passou uma situação difícil; nós compreendemos, mas não aprovamos”, acrescentou.
Valdemar também afirmou que a prioridade agora é retomar as atividades políticas da legenda. Segundo ele, o objetivo é “tocar o partido para frente”.
Flávio deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos dois dias depois de perder a eleição para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Antes da viagem, o senador havia sido alvo de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes e permanecer em território nacional.
Cartas provocaram reação entre aliados
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio publicou dois documentos nas redes sociais. Na primeira versão, apresentou-se como o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil. Posteriormente, retirou a expressão e passou a se definir como “líder do Brasil”.
A divulgação provocou manifestações de integrantes do próprio campo político do senador. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu o reconhecimento do resultado eleitoral e afirmou que o momento exige olhar para o futuro.
“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, declarou.
Rogério Marinho (PL-RN), senador que coordenou a campanha presidencial de Flávio, também afirmou que não existem elementos para sustentar uma acusação de fraude eleitoral. “Não há prova nesse sentido”, disse.
Sobre a carta, Marinho avaliou que pode ter ocorrido algum problema na elaboração do documento. Ele destacou que, na segunda versão, Flávio se identificou como líder do Brasil, posição que, segundo o senador, corresponde à influência política do parlamentar.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, também se manifestou após a divulgação do documento. Sem mencionar diretamente Flávio, o ministro reafirmou a regularidade da votação e o compromisso da Justiça Eleitoral com a vontade expressa pelos eleitores.
Em sua primeira manifestação após a derrota, Flávio havia questionado o resultado das urnas e criticado a decisão que ampliou em duas horas o período de votação. A campanha do próprio senador, contudo, também havia solicitado a extensão do horário.







