Em vídeo publicado nas redes sociais, deputada eleita faz declaração que sugere uma intervenção dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras; parlamentar não quis comentar o episódio ao ser procurada
A deputada federal eleita Magda Mofatto (PL) publicou um vídeo nas redes sociais em que menciona uma possível ação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Na gravação, a parlamentar faz referência à autorização concedida pelo governo norte-americano para a entrada de Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos e afirma que Lula e o magistrado também poderiam ser alvo de uma iniciativa semelhante.
“Calma, Lula, não precisa ficar nervoso. O Trump mandou buscar o Flávio Bolsonaro e daqui uns dias vai mandar buscar você e o Xandão também”, declarou.
Na legenda da publicação, Magda escreveu: “Calma, Nine! Tá nervoso por quê? Sua hora também vai chegar”. O termo utilizado faz referência ao acidente de trabalho que provocou a perda do dedo mínimo da mão esquerda de Lula.
Procurada pelo Jornal Opção para explicar a declaração, a deputada informou que não gostaria de conversar com a reportagem.
Magda foi a quinta candidata mais votada para a Câmara dos Deputados em Goiás, com 131.983 votos. Apesar das manifestações sobre o resultado da eleição presidencial, a reportagem informou não ter encontrado, nas redes sociais da parlamentar, publicações em que ela questionasse a legitimidade da própria eleição.
Entre as postagens recentes está o compartilhamento de um vídeo de Flávio Bolsonaro, no qual o senador agradece a votação recebida, anuncia a intenção de buscar na Justiça a cassação da chapa de Lula e afirma que não deixaria o Brasil. No dia seguinte, porém, foi confirmada a viagem do parlamentar aos Estados Unidos.
Declaração diverge da posição oficial do PL
A manifestação de Magda Mofatto contrasta com o posicionamento divulgado pela direção nacional do Partido Liberal. Em nota assinada pelo presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, o PL reconheceu a vitória de Lula, embora tenha levantado questionamentos sobre medidas econômicas e sociais adotadas pelo governo durante o período eleitoral. <Cite refs={[“turn701754search0″,”turn701754search1”]}/>
O documento menciona que Flávio Bolsonaro venceu o primeiro turno por uma diferença de 2,2 milhões de votos, mas terminou derrotado na etapa seguinte. A legenda atribuiu parte do resultado à ampliação de gastos públicos com benefícios sociais às vésperas da votação e defendeu que os questionamentos sejam esclarecidos dentro das instituições.
“Ao mesmo tempo, o PL encerra estas eleições com uma representação histórica: uma bancada de 121 deputados federais, 29 senadores, 229 deputados estaduais e distritais e seis governadores. É uma demonstração da força do partido e da confiança de milhões de brasileiros nas ideias que defendemos. Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático”, afirma o comunicado.
A nota também diz que o partido continuará acompanhando os acontecimentos com responsabilidade, transparência e respeito às instituições, reafirmando o compromisso com a democracia e a liberdade.
Outras lideranças ligadas à direita, como Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também reconheceram a vitória de Lula.
O próprio Valdemar Costa Neto criticou a decisão de Flávio de viajar para os Estados Unidos depois da derrota. Antes de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, o dirigente afirmou que não concordava com a atitude do senador.
“Não gostei”, declarou Valdemar. “Lógico que ninguém concorda com isso. Queremos tocar o país e o partido para frente. Ninguém aprova isso. Ninguém quer ter problema. Flávio passou por uma situação difícil. Nós compreendemos, mas não aprovamos”, acrescentou.
A viagem do senador também provocou divergências entre integrantes da direita. Enquanto algumas lideranças manifestaram apoio público a Flávio, outras defenderam o reconhecimento do resultado eleitoral e demonstraram preocupação com os efeitos políticos da decisão de deixar o país.
Nesse contexto, a declaração de Magda evidencia a diferença entre a manifestação individual da deputada eleita e a posição oficial da direção nacional do PL, que reconheceu o resultado proclamado pelo TSE.







