Levantamento aponta alta da inadimplência e novo programa oferece descontos de até 90% para renegociação
O Brasil registra atualmente 82,8 milhões de pessoas endividadas, segundo dados divulgados pela Serasa. O número representa cerca de 49% da população adulta e indica crescimento em relação ao levantamento anterior, realizado em fevereiro.
Além do aumento no total de inadimplentes, também houve elevação no valor médio das dívidas por pessoa, que chegou a R$ 6.728,51. Em média, cada brasileiro possui quatro dívidas ativas. O levantamento aponta ainda que quase metade das pendências financeiras está concentrada no setor financeiro, com destaque para bancos e cartões de crédito, seguidos por contas básicas, financeiras e serviços.
Entre os principais fatores que levam à inadimplência, o desemprego ou a perda de renda aparecem como motivo predominante, além de gastos emergenciais, desorganização financeira e apoio a familiares.
Para tentar reduzir esse cenário, o governo federal lançou o Novo Desenrola Brasil, que entrou em vigor nesta semana com condições facilitadas para negociação. A iniciativa prevê descontos que variam de 30% a 90%, juros limitados a 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 meses e prazo estendido para início do pagamento. Também está prevista a quitação automática de dívidas de até R$ 100 por parte dos bancos.
O programa é voltado para pessoas com renda de até cinco salários mínimos e contempla débitos contratados até janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos. A adesão pode ser feita diretamente pelos canais oficiais das instituições financeiras ou por plataformas conveniadas, como o aplicativo da própria Serasa, que reúne milhões de ofertas de renegociação.
Além da modalidade principal voltada às famílias, o programa também inclui frentes específicas para estudantes, empreendedores e produtores rurais. Apesar das medidas, especialistas avaliam que o nível elevado de endividamento no país exige ações complementares, como maior acesso à educação financeira e mudanças estruturais nas taxas de juros, para que haja redução consistente da inadimplência.






