Demanda no estado avançou no acumulado de 12 meses até agosto, enquanto juros elevados e necessidade de reforçar o caixa mantêm empresas em busca de recursos
A procura das empresas de Goiás por crédito aumentou 11,7% no acumulado de 12 meses encerrado em agosto de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian divulgado nesta quinta-feira (1º). O crescimento ficou acima do registrado no país, que foi de 11,2% no mesmo período.
Apesar de superar a média nacional em 0,5 ponto percentual, Goiás apresentou a menor expansão entre os quatro estados do Centro-Oeste. Mato Grosso do Sul liderou a região, com alta de 25,5%, seguido pelo Distrito Federal, com 14,5%, e Mato Grosso, com 14,1%.
O Indicador de Demanda das Empresas por Crédito mede a intenção de buscar recursos a partir das consultas realizadas em processos de avaliação de CNPJs. O índice, portanto, retrata a procura por financiamento, e não necessariamente a aprovação ou a contratação dos empréstimos.
Todas as unidades da Federação registram alta
O crescimento da demanda por crédito ocorreu em todas as unidades da Federação no período de 12 meses até agosto.
Mato Grosso do Sul teve o maior avanço do país, com 25,5%. Depois aparecem Roraima, com 21,4%, e Paraíba, com 19,6%. Na sequência regional, o Distrito Federal registrou 14,5%, enquanto Mato Grosso chegou a 14,1%.
Os menores aumentos foram identificados no Rio de Janeiro, com 3,4%, no Espírito Santo, com 6,7%, e em Santa Catarina, com 7,6%.
No Centro-Oeste, os índices foram:
- Mato Grosso do Sul: 25,5%;
- Distrito Federal: 14,5%;
- Mato Grosso: 14,1%;
- Goiás: 11,7%.
Necessidade de caixa aumenta procura por financiamento
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, avalia que a necessidade de manter o fluxo de caixa ajuda a explicar a maior procura por crédito, mesmo em um cenário de taxas de juros elevadas.
De acordo com ela, muitas empresas, principalmente as pequenas e médias, utilizam financiamentos de curto prazo para cobrir períodos em que as despesas vencem antes do recebimento das receitas. Esse descasamento pode levar os negócios a recorrerem a recursos externos para preservar o funcionamento das operações.
“Em um ambiente de juros elevados, desaceleração da atividade e inadimplência recorde, muitas companhias, sobretudo as pequenas e médias, têm recorrido a financiamento para administrar o descasamento entre o ciclo de recebimentos e as despesas operacionais, pressionando a demanda por recursos de curto prazo”, explica.
Segundo a economista, a concessão de crédito vinha perdendo ritmo diante do aumento dos riscos e do custo financeiro, mas algumas operações de capital de giro de curto prazo, apoiadas por fundos garantidores, passaram a contribuir para a manutenção do acesso das empresas aos recursos.
Esses fundos ajudam a diminuir parte do risco assumido pelas instituições financeiras, embora o cenário continue desafiador tanto para quem busca financiamento quanto para os próprios credores.
Micro e pequenas empresas lideram demanda no país
No resultado nacional, as micro e pequenas empresas apresentaram o maior crescimento acumulado em 12 meses, com avanço de 11,4%. Entre as grandes empresas, a alta foi de 8,1%, enquanto as médias registraram crescimento de 4,9%.
Esses dados por porte correspondem ao conjunto do Brasil. O levantamento divulgado pela Serasa Experian não apresenta a mesma divisão especificamente para Goiás.
Na avaliação por setor econômico, houve crescimento em todas as atividades analisadas. O setor de serviços teve aumento de 17% na demanda, seguido pela agropecuária, com 16,2%. A indústria avançou 8,4%, e o comércio, 6,8%.
Para Camila Abdelmalack, a expansão em serviços e agropecuária demonstra que a procura por crédito não está concentrada em apenas uma atividade econômica.
O financiamento, segundo ela, continua sendo utilizado tanto para sustentar operações quanto para administrar as necessidades financeiras ao longo do ciclo dos negócios. Ao mesmo tempo, as empresas ainda lidam com juros altos e sinais de perda de ritmo da atividade econômica.
Comparação entre agosto de 2026 e agosto de 2025 mostra alta de 5,3%
Considerando somente agosto de 2026 em comparação com agosto do ano anterior, a busca das empresas brasileiras por crédito cresceu 5,3%.
As micro e pequenas empresas registraram aumento de 5,7%, enquanto as grandes tiveram alta de 2,2%. Entre as médias empresas, houve queda de 7,5% nessa comparação.
O resultado das médias empresas no recorte mensal difere do desempenho acumulado em 12 meses, quando o grupo registrou crescimento de 4,9%. Os dois indicadores abrangem períodos distintos e, por isso, podem apresentar movimentos diferentes.
Na divisão por atividade, a agropecuária teve o maior crescimento entre agosto de 2026 e agosto de 2025, com 13,8%. Em seguida aparecem serviços, com 11,3%, comércio, com 1,3%, e indústria, com 0,3%.
Recortes mostram comportamentos diferentes
A economista da Serasa Experian afirma que é necessário observar os dois recortes para entender a evolução da demanda por crédito. O acumulado de 12 meses mostra uma trajetória mais ampla, enquanto a comparação entre meses equivalentes evidencia de forma mais direta o comportamento recente.
“O avanço de 5,3% em agosto, após uma alta mais intensa em julho, indica uma acomodação na comparação interanual, mas não uma reversão da procura por crédito”, afirma.
Na avaliação de Camila, as empresas continuam recorrendo ao mercado financeiro, embora encontrem condições mais restritivas para conseguir novos recursos e enfrentem um cenário de desaceleração da economia.
Indicador acompanha consultas a CNPJs
O Indicador de Demanda das Empresas por Crédito é elaborado pela Serasa Experian com base em consultas a CNPJs realizadas mensalmente em processos relacionados à concessão de crédito.
A metodologia considera operações que envolvem empresas e instituições financeiras, além de relações de crédito com empresas não financeiras. A quantidade de CNPJs consultados é convertida em um número-índice que utiliza como referência a média registrada em 2024, estabelecida em 100.
Os resultados podem ser analisados por estado, setor de atividade e porte empresarial. Como o indicador mede a intenção ou procura por crédito, os dados não significam, necessariamente, que os pedidos tenham sido aprovados ou que os financiamentos tenham sido efetivamente contratados.







