Senador repetiu suspeitas de fraude sem apresentar provas e questionou a prorrogação do horário de votação; em entrevista, também afirmou que deixou o Brasil sem ajuda de governos ou aliados
O senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou a colocar em dúvida o resultado das eleições presidenciais brasileiras durante uma entrevista publicada pelo jornal norte-americano The New York Times nesta quinta-feira (5). Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, o parlamentar classificou sua derrota como “matematicamente impossível” e voltou a levantar suspeitas de fraude, mas não apresentou provas para sustentar as acusações.
Entre os pontos questionados pelo senador está a ampliação do horário de votação, que, segundo ele, poderia ter sido utilizada para incluir votos irregularmente em favor de Lula. A declaração foi feita apesar de a própria campanha de Flávio também ter solicitado a extensão do período de votação.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamou oficialmente a vitória de Lula, que recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL. O resultado foi reconhecido por lideranças políticas brasileiras e por mais de uma centena de países. Missões internacionais de observação também avaliaram positivamente a organização da votação e da apuração.
Durante a entrevista, Flávio afirmou que não recebeu apoio de autoridades brasileiras ou estrangeiras para deixar o país. Segundo ele, a decisão foi tomada por conta própria, embora não tenha explicado como conseguiu organizar o deslocamento.
“Foi tudo obra minha. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, declarou.
Questionado sobre os detalhes da viagem, o senador evitou fornecer informações. “Como cheguei até aqui, levarei isso para o túmulo comigo”, afirmou.
Flávio deixou o Brasil dois dias depois de perder a eleição presidencial e desembarcou nos Estados Unidos após passar pela Argentina e pelo Equador. A viagem ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega dos passaportes do parlamentar e o proibiu de deixar o território nacional.
O senador também é investigado em pelo menos dois inquéritos.
Ao chegar aos Estados Unidos, Flávio publicou uma carta em que se declarou o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil. O documento foi posteriormente retirado do ar e substituído por outra versão, na qual passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
Suspeitas sobre votação e reação internacional
Na entrevista, Flávio voltou a questionar a segurança do processo eleitoral e afirmou que a prorrogação do horário de votação poderia ter favorecido seu adversário. Entretanto, não apresentou elementos que demonstrassem qualquer manipulação dos resultados.
A ampliação do período de votação ocorreu por decisão judicial e também havia sido solicitada pela campanha do próprio senador.
O resultado oficial mostra que Lula conquistou 64.256.232 votos, enquanto Flávio recebeu 59.826.041. A diferença foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, anunciou a conclusão do processo eleitoral e reconheceu a vitória do candidato petista. Observadores internacionais que acompanharam o segundo turno também relataram normalidade na votação e na totalização dos resultados.
Nos Estados Unidos, Donald Trump declarou anteriormente que considerava a eleição brasileira “estranha”, mas não apresentou provas de irregularidades nem anunciou uma contestação formal do resultado.
No Brasil, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o próprio Partido Liberal reconheceram a vitória de Lula, apesar de manifestações sobre questionamentos relacionados ao processo eleitoral.






