O número de pedidos de internação por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrou crescimento expressivo em Goiás nos primeiros meses de 2026, acendendo alerta nas autoridades de saúde e pressionando o sistema público. Entre janeiro e abril, foram contabilizadas 5.224 solicitações de leitos, o que representa um aumento de 80% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados mostram avanço mês a mês: 1.006 pedidos em janeiro, 1.341 em fevereiro, 1.811 em março e, até esta sexta-feira (17), 1.068 registros apenas em abril.
O impacto já é sentido na rede hospitalar, com unidades operando no limite da capacidade e picos diários que chegaram a 112 solicitações. Até o momento, mais de 155 mortes foram associadas a síndromes respiratórias no estado. A maior concentração de casos ocorre em cidades mais populosas, como Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis e Rio Verde, que lideram o volume de solicitações por internação.
Diante do cenário, o governo estadual decretou situação de emergência em saúde pública, medida que busca antecipar ações antes do período mais crítico, geralmente registrado em maio. Segundo o secretário de Saúde, Rasível Santos, o principal risco é a saturação dos leitos disponíveis, agravada pela redução recente da estrutura hospitalar, com a perda de vagas em UTIs e enfermarias.
A situação é ainda mais delicada na pediatria. Houve redução significativa de leitos destinados a crianças, incluindo unidades de terapia intensiva, o que limita a capacidade de atendimento em casos mais graves. No Hospital Estadual da Criança e do Adolescente, a taxa de internação já ultrapassa 12%, evidenciando a pressão sobre o sistema.
Para enfrentar a demanda crescente, o estado pretende reativar o Centro de Operações de Emergências em Saúde, além de ampliar a oferta de leitos com apoio de hospitais municipais e filantrópicos. A estratégia inclui também melhorar a rotatividade e a remuneração dessas vagas, tentando aliviar a sobrecarga da rede pública.
Outro ponto crítico é a baixa cobertura vacinal. Entre os grupos de risco, apenas 16% estão imunizados, índice considerado insuficiente pelas autoridades. Dados da Secretaria de Saúde indicam que cerca de 70% das pessoas internadas no ano passado não haviam se vacinado, o que reforça a importância da prevenção.
A subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, orienta que pessoas com sintomas gripais utilizem máscara e reforcem a higiene das mãos, além de evitar a exposição de crianças doentes em ambientes coletivos. Os casos mais graves seguem concentrados em crianças pequenas, idosos e gestantes.
Entre os vírus em circulação no estado estão o rinovírus, o vírus sincicial respiratório (VSR) e a Influenza A (H3N2), responsáveis pela maior parte das internações registradas até agora.






