Empresário declarou intenção de “tocar o terror” na Corte Suprema, enquanto aliados do candidato do PL discutem nomes e rumos para a política externa brasileira.
O empresário e influenciador Pablo Marçal colocou seu nome à disposição para integrar um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), afirmando que aceitaria inclusive uma indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF). Durante participação no programa BNTV Brasil no último domingo (4), Marçal mencionou sua graduação em Direito e declarou que, caso fosse indicado para a Corte, iria “tocar o terror” no tribunal.
A declaração ocorre na esteira de um aceno feito pelo próprio Flávio Bolsonaro no final de setembro, quando o candidato à Presidência sugeriu que o empresário poderia atuar em áreas ligadas ao empreendedorismo e à mobilidade social. A aproximação entre ambos foi confirmada pela assessoria do senador ao SBT News. Além do Judiciário, Marçal afirmou estar aberto a assumir qualquer função na gestão, citando até o comando de uma estrutura voltada para “Superinteligência”.
Apesar da disposição do influenciador, a vaga no STF envolve trâmites constitucionais e requisitos específicos. A Carta Magna estabelece que o indicado deve ser brasileiro nato, ter entre 35 e 70 anos, notável saber jurídico e reputação ilibada, requisitos que vão além do diploma universitário. A nomeação depende ainda de sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e aprovação pelo plenário do Senado.
Marçal está fora da disputa presidencial de 2026 após ter o registro de sua candidatura pelo PRTB indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em setembro. A decisão também decretou sua inelegibilidade até 2032 devido à falta de comprovação de filiação partidária dentro do prazo legal.
STF no centro do debate eleitoral
A fala de Marçal reflete a centralidade que o Judiciário assumiu nos debates da campanha de Flávio Bolsonaro. Integrantes do grupo político vêm discutindo abertamente a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo, enquanto o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), defende redefinir os limites de atuação entre o Senado e a Suprema Corte.
Na terça-feira (6), após reunir-se com o presidente do STF, ministro Edson Fachin, Marinho afirmou que o Legislativo não deve se omitir diante de eventuais crimes de responsabilidade atribuídos a magistrados, embora tenha negado que haja uma política de retaliação. A relação com a Corte é vista como ponto crítico, já que o presidente eleito em 2026 poderá indicar até quatro novos ministros ao longo do mandato, a depender das aposentadorias e vacâncias.
Disputa de alas pelo comando do Itamaraty
As articulações para a composição de um futuro ministério também alcançaram a diplomacia. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro figura entre os cotados para assumir o Ministério das Relações Exteriores ou a Embaixada do Brasil em Washington. Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo declarou que pretende promover uma “faxina” no Itamaraty para afastar diplomatas que teriam atuado contra a gestão de Jair Bolsonaro.
A possível indicação, contudo, expõe divergências internas na campanha. Uma ala coordenada por Rogério Marinho defende uma política externa técnica e focada no pragmatismo econômico, sugerindo nomes como o economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos Brics.
Por outro lado, o grupo ligado a Eduardo prega uma mudança ideológica profunda nas diretrizes diplomáticas, com propostas de reformulação inspiradas em medidas norte-americanas, defendidas por nomes como Marcos Degaut. A escolha de Eduardo traz implicações geopolíticas diretas: morando nos Estados Unidos desde 2025 e articulado com a direita internacional, o ex-deputado participou ativamente de campanhas por sanções contra autoridades brasileiras, como o ministro Alexandre de Moraes, além de acumular histórico de atritos com a China, principal parceiro comercial do país.







