Resultado negativo mais que triplicou em relação ao ano anterior, enquanto plano de demissões ficou abaixo da meta
A Correios registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, valor mais de três vezes superior ao resultado negativo de 2024. O desempenho foi impactado principalmente pela queda na receita e pelo aumento expressivo de despesas, incluindo gastos com processos judiciais.
Os números foram apresentados pela direção da estatal durante coletiva de imprensa, junto com atualizações sobre o plano de reestruturação financeira iniciado no fim de 2025. A estratégia inclui medidas para equilibrar as contas, como redução de custos, venda de ativos e reorganização da rede de atendimento.
Um dos principais pontos do plano, o Programa de Demissão Voluntária (PDV), teve adesão abaixo do esperado. A meta era alcançar cerca de 10 mil desligamentos, mas apenas 3.181 funcionários aderiram, o equivalente a 32% do objetivo. Apesar disso, a direção da empresa avalia que o resultado ainda gera impacto positivo nas finanças, com economia parcial já projetada para os próximos anos.
Além da baixa adesão ao PDV, a estatal também enfrentou queda de 11,35% na receita bruta, que fechou em R$ 17,3 bilhões. Ao mesmo tempo, os gastos com precatórios somaram R$ 6,4 bilhões, representando aumento de 55% em comparação ao ano anterior.
O cenário levou a empresa a encerrar 2025 com patrimônio líquido negativo de R$ 13,1 bilhões. Para tentar reverter a situação, o plano de reestruturação prevê ainda o fechamento de unidades deficitárias — que representam a maior parte da rede — e a venda de imóveis, com potencial de arrecadação estimado em até R$ 1,5 bilhão.
A estatal também renegociou dívidas e parcelou pagamentos, incluindo tributos e precatórios, buscando melhorar o fluxo de caixa no curto prazo. Segundo a empresa, cerca de 97% dos compromissos financeiros já foram quitados ou renegociados na primeira fase do plano.
Mesmo diante do prejuízo elevado, a direção mantém a projeção de redução do déficit ao longo de 2026, com expectativa de retorno à lucratividade a partir de 2027. O plano completo prevê três etapas: recuperação financeira, estabilização e crescimento, em meio a um cenário de forte concorrência no setor de logística e comércio eletrônico.






