Beneficiários do Desenrola ficarão impedidos de acessar sites de apostas por até um ano

Nova norma do Ministério da Fazenda determina bloqueio automático em plataformas de bets para quem renegociar dívidas pelo programa federal

O governo federal publicou uma nova regra que impedirá participantes do Novo Desenrola Brasil de utilizar plataformas de apostas esportivas por um período de até 12 meses após a renegociação de dívidas. A medida foi estabelecida pela Instrução Normativa SPA/MF nº 3/2026 e obriga as empresas autorizadas a bloquear automaticamente o acesso desses usuários.

Segundo o Ministério da Fazenda, a restrição poderá atingir cerca de 27 milhões de brasileiros. O objetivo da iniciativa é evitar que pessoas que passaram por um processo de reorganização financeira voltem a comprometer a renda com apostas online, reduzindo o risco de novo endividamento.

Criado para auxiliar consumidores inadimplentes, o Desenrola Brasil já renegociou mais de R$ 53 bilhões em débitos e beneficiou aproximadamente 15 milhões de pessoas nas etapas anteriores. Para a nova fase do programa, a expectativa do governo é alcançar até R$ 100 bilhões em acordos.

A decisão, no entanto, provocou questionamentos entre especialistas e representantes do setor de apostas. O advogado Victor Amado avalia que a proibição pode levar parte dos usuários a buscar plataformas irregulares, que operam fora da regulamentação brasileira e não oferecem mecanismos de proteção ao consumidor.

De acordo com ele, uma alternativa mais equilibrada seria a adoção de limites de gastos proporcionais e ações de educação financeira, em vez do bloqueio total. Plataformas autorizadas no país contam com ferramentas de controle, como definição de limites de depósito, autoexclusão e sistemas de monitoramento de comportamento de risco.

Especialistas também apontam que a norma pode enfrentar contestação judicial. Isso porque a restrição será aplicada de forma automática, sem análise individual de cada caso e sem necessidade de comprovar que as dívidas renegociadas tenham relação direta com gastos em apostas.

Outro ponto levantado é que não existem medidas semelhantes para outros tipos de consumo, como serviços de streaming, eventos ou entretenimento, mesmo entre pessoas que estão em situação de inadimplência.

A regulamentação das apostas esportivas no Brasil, prevista na Lei nº 14.790 de 2023, já determina uma série de mecanismos de proteção ao apostador. Com a nova instrução normativa, o governo acrescenta uma restrição específica voltada aos beneficiários do Desenrola, ampliando as medidas de controle sobre o setor.

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