Relatório da Polícia Federal indica que recursos destinados por emendas parlamentares chegaram à produtora responsável por “Dark Horse” durante o período das gravações em São Paulo
A Polícia Federal identificou uma possível conexão temporal e financeira entre emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) e despesas da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação faz parte da Operação Make Up, autorizada nesta quinta-feira (10) pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, incluindo uma ordem para apreender o celular do parlamentar.
Produtora movimentou R$ 19 milhões
Segundo relatório elaborado pela PF, com 150 páginas, a Go Up Entertainment, ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, movimentou aproximadamente R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025.
O período coincide parcialmente com as gravações de “Dark Horse”, realizadas em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro daquele ano.
Entre as despesas identificadas pelos investigadores estão pagamentos de R$ 906 mil ao Hotel Unique, estabelecimento de luxo localizado na capital paulista, e outros R$ 653 mil à empresa Foodflix. A produtora também realizou transferências para empresas do setor audiovisual.
Caminho dos recursos
A PF também analisou R$ 2 milhões destinados por Mario Frias, por meio de emendas parlamentares, ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama.
Do montante, aproximadamente R$ 700 mil foram posteriormente repassados pelo instituto às empresas Dinâmica Editora e Instituto Super Poder Educacional, vinculadas ao empresário Heric Fabiano Dias.
Na sequência, a NTT Brasil, administrada por Heric Dias, transferiu R$ 750 mil para a Go Up Entertainment.
Para os investigadores, a proximidade entre essas movimentações e o período de produção do filme chamou atenção, especialmente pela natureza dos gastos identificados.
O relatório destaca que as gravações ocorreram em São Paulo entre outubro e dezembro de 2025 e aponta como relevante a coincidência com as movimentações financeiras registradas entre 10 de novembro e 30 de dezembro, incluindo despesas com hospedagem de alto padrão, alimentação e empresas produtoras.
Investigados terão restrições
Além das buscas, Flávio Dino determinou medidas cautelares contra Mario Frias, Karina Gama e outros 27 investigados.
Os envolvidos estão proibidos de manter contato entre si e também não podem deixar o Brasil. Para cumprir a determinação, deverão entregar seus passaportes à Polícia Federal.
A investigação busca esclarecer a origem, o destino e a eventual relação entre os recursos públicos e os gastos associados à produção do filme.






