Rogério Marinho e Tarcísio de Freitas defenderam o respeito ao resultado das urnas, enquanto Kassio Nunes Marques reafirmou a regularidade das eleições de 2026
A carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a derrota na eleição presidencial provocou reações contrárias entre integrantes de seu grupo político e gerou repercussão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Enquanto aliados passaram a defender publicamente o reconhecimento do resultado, o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, publicou uma manifestação em defesa da Justiça Eleitoral. Relatos de bastidores também indicam desconforto entre magistrados que eram considerados próximos ao senador.
O documento foi divulgado na quarta-feira (28), inicialmente com Flávio se apresentando como o “verdadeiro presidente do Brasil”. Pouco depois, o parlamentar alterou a expressão para “líder do Brasil”, mas manteve questionamentos sobre a legitimidade do processo eleitoral.
Segundo relatos atribuídos a integrantes do TSE, a iniciativa foi mal recebida por ministros, que consideraram inadequado dar destaque ao conteúdo. Entre as críticas mencionadas nos bastidores, a utilização de um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, em uma das versões do documento, também teria levantado dúvidas sobre a credibilidade da manifestação.
Presidente do TSE reafirma validade das eleições
Na noite de quarta-feira (28), Kassio Nunes Marques divulgou uma nota pública defendendo a atuação da Justiça Eleitoral. Embora não tenha mencionado Flávio diretamente, o presidente do TSE destacou a legitimidade da escolha feita pelos eleitores e afirmou que a votação ocorreu dentro da normalidade.
“Ressalto o compromisso de toda a Justiça Eleitoral com a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes”, declarou o ministro.
Na mesma manifestação, Nunes Marques ressaltou que eventuais contestações apresentadas pelos meios legais serão analisadas e respondidas. Ele também afirmou que o processo eleitoral foi concluído com segurança e em conformidade com as normas legais e constitucionais.
A manifestação ocorreu depois de conversas entre o presidente do TSE e outros integrantes da Corte sobre a repercussão da derrota de Flávio. Relatos anteriores indicavam que o ministro não pretendia dar espaço às reclamações da campanha do senador contra o resultado.
Nunes Marques também pretende conversar com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para discutir a atuação das duas instituições diante de possíveis iniciativas destinadas a questionar a validade das eleições de 2026.
Durante a sessão plenária desta quinta-feira (29), a primeira após a divulgação da carta, os ministros não comentaram publicamente o episódio e deram continuidade ao julgamento dos processos previstos na pauta.
Aliados defendem respeito ao resultado das urnas
A reação à carta também expôs divergências entre integrantes do grupo político de Flávio Bolsonaro. Rogério Marinho (PL-RN), senador que coordenou a campanha presidencial, afirmou que não há provas que permitam sustentar uma acusação de fraude eleitoral.
Marinho classificou o documento como um desabafo do candidato derrotado e declarou que nem ele nem o Partido Liberal poderiam afirmar que houve irregularidades na votação sem apresentar evidências.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também defendeu o reconhecimento do resultado. “O caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou.
As declarações contrastam com a postura de Flávio, que divulgou o documento após perder a eleição e passou a contestar a legitimidade do processo eleitoral. A posição de aliados que defendem o reconhecimento do resultado evidencia o desgaste provocado pela manifestação dentro do próprio campo político do senador.
Advogada pode deixar defesa do senador
O afastamento também teria alcançado a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro. A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que representou o senador em ações no TSE durante a campanha, teria comunicado a um interlocutor que não pretende continuar apresentando processos em nome do parlamentar.
Segundo o relato divulgado, a profissional considera encerrada sua atuação, uma vez que o compromisso estava relacionado à campanha eleitoral, concluída em 25 de outubro.
A eventual saída da advogada se soma às manifestações públicas de aliados que rejeitam sustentar acusações de fraude sem provas. O episódio ampliou a repercussão política da carta e colocou em evidência as divergências entre Flávio, integrantes de seu grupo e representantes das instituições eleitorais.
Enquanto o senador mantém os questionamentos sobre a votação, lideranças políticas e a presidência do TSE têm defendido o respeito ao resultado das urnas, com eventuais contestações encaminhadas pelos meios legais.







