Presidente cobra transparência nas investigações e afirma que população precisa conhecer todos os envolvidos em meio ao agravamento da crise entre ministros do STF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quarta-feira (9) a quebra completa do sigilo das investigações relacionadas ao caso Master. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que o Brasil precisa ter acesso à verdade sobre o caso e cobrou medidas diante da crise que envolve o Poder Judiciário.
Segundo Lula, a gravidade das suspeitas exige transparência e não a divulgação seletiva de informações. O presidente também afirmou que eventuais investigações devem alcançar todos os envolvidos, independentemente de quem sejam.
“É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, declarou.
Lula também classificou o episódio como uma grave crise institucional e afirmou que são necessárias “explicações e medidas imediatas” para enfrentar a situação.
Crise envolve ministros do STF e Polícia Federal
A manifestação do presidente ocorre em meio ao aumento da tensão dentro do Supremo Tribunal Federal após a divulgação de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O caso provocou um confronto entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, que passaram a questionar mutuamente condutas relacionadas às investigações.
Na semana passada, Mendonça retirou o sigilo de documentos relacionados ao caso Master. Entre os materiais divulgados estavam informações sobre contatos entre Moraes e Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Moraes, por sua vez, apontou possíveis indícios de abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça em processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero, conduzidas pela Polícia Federal.
Diretor-geral da PF foi afastado e reintegrado
A crise também atingiu diretamente a Polícia Federal.
Na terça-feira (8), André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. A decisão foi baseada em questionamentos sobre relatórios de inteligência produzidos pela PF e utilizados em decisões relacionadas ao caso.
De acordo com Mendonça, pelo menos seis relatórios sigilosos foram encaminhados a Alexandre de Moraes entre os dias 3 e 31 de agosto.
Nesta quarta-feira (9), porém, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos respectivos cargos. Dino também criticou a interferência nos trabalhos da Polícia Federal e afirmou que medidas relacionadas às investigações não deveriam ser interrompidas por decisões externas.
A decisão de Dino deverá ser submetida ao plenário do STF.






