Lula diz ter decidido acabar com as bets e afirma que futebol terá de se adaptar

Presidente voltou a criticar as plataformas de apostas e disse que clubes precisarão buscar outras fontes de receita caso a atividade seja proibida

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (23) que decidiu acabar com as bets no Brasil e disse que os clubes de futebol precisarão encontrar novas formas de financiamento. A declaração ocorreu durante um evento com integrantes do setor cultural e faz parte da intensificação do discurso do presidente sobre as apostas na reta final da campanha de reeleição.

“Nós vamos acabar com as bets, e os times que aprendam a virar times de empresários. Esta não é uma guerra, é uma decisão”, afirmou Lula. Ao mencionar a transformação dos clubes em empresas, o presidente fez referência à legislação que criou a Sociedade Anônima do Futebol (SAF), permitindo a adoção de um modelo empresarial pelas equipes.

Lula voltou a relacionar as apostas ao endividamento das famílias e afirmou que o impacto também atinge torcedores de menor renda. Segundo o presidente, a atividade estaria levando parte da população a comprometer recursos que poderiam ser destinados a outras despesas.

Nos últimos dias, o chefe do Executivo já havia manifestado a intenção de restringir ou encerrar o funcionamento das plataformas. Em 18 de setembro, durante evento em Guarulhos, afirmou que, dependendo de sua decisão, acabaria com as bets no país. No dia seguinte, em Florianópolis, voltou a relacionar as apostas ao endividamento e defendeu que o futebol não dependa desses recursos.

“A verdade é que eu quero acabar com as bets”, disse na ocasião.

Durante o novo discurso, Lula também associou o tema das apostas ao debate sobre plataformas digitais. Ele afirmou estar preocupado com a influência dos algoritmos sobre os jovens e defendeu a adoção de medidas para regulamentar as redes sociais.

O governo Lula foi responsável pela regulamentação das apostas de quota fixa, aprovada pelo Congresso Nacional no fim de 2023. Antes disso, a modalidade havia sido autorizada durante o governo Michel Temer, mas a regulamentação não avançou durante a gestão de Jair Bolsonaro.

O mercado regulado começou a operar em 2025, após um período de transição. As empresas autorizadas precisaram pagar uma outorga de R$ 30 milhões para atuar pelo período previsto na legislação.

Apesar das declarações do presidente, integrantes do governo avaliavam diferentes possibilidades para o setor. Entre as alternativas discutidas estavam a restrição à publicidade das apostas e uma medida mais ampla, com a proibição das apostas de quota fixa.

A eventual proibição total também levanta discussões sobre os impactos financeiros e jurídicos da medida. As empresas autorizadas fizeram investimentos e pagaram outorgas para operar no país, o que poderia resultar em disputas judiciais caso suas atividades fossem interrompidas antes do prazo inicialmente previsto.

Outro ponto considerado pelo governo é a fiscalização das plataformas após uma eventual proibição. A preocupação envolve impedir que empresas continuem atendendo consumidores brasileiros de maneira irregular.

Também existe impacto sobre os clubes de futebol, que possuem contratos de patrocínio com empresas de apostas. Uma mudança nas regras poderia reduzir uma importante fonte de receita das equipes e exigir a busca por novos modelos de financiamento.

As apostas também passaram a ocupar espaço central no discurso eleitoral de Lula. Aliados do presidente têm relacionado o crescimento do setor ao aumento do endividamento dos brasileiros. Segundo estudo do Comsefaz, em conjunto com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), os brasileiros direcionaram R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025.

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